Registo: Jun 19, 2008 Mensagens: 556 Local/Origem: Carcavelos
Colocada: Ter, 22 Mar 2011 - 15:38 Assunto: Geração à Rasca - A Nossa Culpa
Boas!
Eu li este texto e achei que daria um bom tema de debate, visto que eu não concordo de todo com o que o autor escreveu...
Criei então este tópico/votação de maneira a perceber se sou o único que discordo da opinião do escritor, ou se há mais gente. Queria também saber, no caso de concordarem, o que é que vos leva a concordarem.
P.S: Eu enganei-me, o texto não é do Mia Couto.
Geração à Rasca - A Nossa Culpa
Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca?
Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
Cumprimentos
Nuno _________________ We dream with the perfect wave, perfect job, perfect house, and when we get there... we dream whit somenthing else - Rob Machado
Editado pela última vez por _Pinto_ em Ter, 22 Mar 2011 - 18:38, num total de 3 vezes
1) já há alguns anos que abri vagas de emprego, falei com todo o tipo de institutos, recebi uma porrada de curriculos, convoquei uns quantos... quantos apareceram? ZERO!! e isto porque era numa zona industrial, tinham que se deslocar e um salário de 1000 euros para primeiro emprego de estágio para recém licenciado era pouco...
2) Vejo a geração à rasca a trocar de telemóvel como quem troca de cuecas..
3) vejo ipods, ipads, e tudo a esgotar nos dias que saem.
4) vejo filas para comprar os novos pes, e vejo que as famosas roupas de marca continuam a imperar no mercado com preços absurdos.
5) quando estava na faculdade, via colegas a reclamarem por pagarem 2 euros por uma sebenta quando no dia anterior gastavam 30 numa discoteca. Sendo que uma sebenta é conhecimento valioso, e muitas vezes a noite anterior da discoteca tão pouco estava na memória.
6) na fila de carros, quando vou para casa, só vejo jantes especiais e os carros completamente vazios..
7) Quando saio à noite vejo tudo podre de bêbado, e que eu saiba por mais barata que esteja a cerveja ainda custa.
não vejo ninguém desta nova geração a ficar mais uma hora no trabalho para aprenderem e serem mais competitivos, pois não são pagos por essa hora. Vejo que se chegar a uma loja ou a um estabelecimento, fecham-me as portas se chegar em cima do minuto, pois para muita gente uma venda a mais ou a menos é igual.
9) Das poucas entrevistas que vou fazendo, quase não aceito ninguém, porque muitos canudos que andam por aí não valem nada.
10) Muita da geração à rasca, aproveita o salário, enquanto vive com os pais para gastos desnecessários.
11) a lista continua por aí em diante, quando me lembrar de mais edito.
As oportunidades existem... A Geração à Rasca quer melhores salários, já eu quero que ganhem todos menos, e assim pode ser que um indiano ou um africano tenha mais que 20 euros por mês para gastar.
A solução não passa por exigir mais, mas sim aprender a abdicar do que não é necessário de forma a que todos, de forma sustentável, possamos aproveitar tudo que a terra tem para nos dar. O que a geração à rasca pede é o aumento da desigualdade acompanhado das facilidades. E eu sou completamente contra. Os nossos padrões de consumo são insustentáveis e recuso-me a compactuar com manifestações que os queiram prolongar.
Vendo o post do Pirata mais abaixo, claro que existem excepções!!
M.
Editado pela última vez por zemi em Ter, 22 Mar 2011 - 16:30, num total de 2 vezes
Concordo com o texto, que aliás já estive para publicar aqui e concordo também com o Zemi
Não generalizando completamente claro mas acho que é bem assim _________________ "memes, basófia, nicks e anonimatos...bem vindos à internet, glad you could join us." SeaNoEvil in Carcavelos Sangrento
As generalizações sempre pecaram por isso mesmo, por serem demasiado generalistas. A mim parecem-me estranhas algumas opiniões que tenho lido e ouvido dos chamados "opininantes" que abundam nos media.
Antigamente dizia-se que o Povo unido jamais será vencido, hoje perde-se muito tempo a apontar o dedo à direita e à esquerda, à frente e atrás.
É pena que estejamos todos a virar-nos uns contra os outros...
Pode ser que isso nos leve a algum lugar... Eu duvido.
Registo: Nov 06, 2007 Mensagens: 711 Local/Origem: Lisboa
Colocada: Ter, 22 Mar 2011 - 16:58 Assunto:
Concordo e se fosse eu a descrever acho que ainda cascava mais nos paizinhos que educaram esta geração.
Sem desprimor para os merceeiros, cuja vida de trabalho árduo admiro mas não invejo, sempre comparei esta geração aos filhos dos merceeiros, cujos pais trabalham das 4h da manhã às 20h para sustentarem os meninos com roupas de marca, propinas de estaminés disfarçados de universidades privadas e gasolina para o carro novo, que usado é só para os pobres.
Um dos piores embustes criados para esmifrar uma geração inteira de pais pouco instruídos, foram as dezenas de cursos superiores inventados com o objectivo de melhorar as estatísticas e ao mesmo tempo rentabilizar as cooperativas que gerem universidades privadas. Estas fantásticas universidades iludiram uma catrefada de gente sem visão, ou sem capacidade crítica para perceber a armadilha onde ia cair, que achou que um canudo garantia um emprego melhor, independentemente da qualidade do dito.
Curiosamente, esta massa de universitários, uns da privada, outros da pública, nunca pensou em trabalhar para pagar os estudos (com part times ou com empréstimos, como nos outros países muito mais ricos que o nosso) e certamente que na maior parte dos casos não se informaram sobre as saídas dos cursos e sobre o VAL do investimento que estavam a fazer. Para muitos tenho a certeza que não compensou o tempo/custo dos estudos vs. o incremento no salário que possibilitou. Um dos exemplos do que falo são as caixas dos supermercados licenciadas... duvido que lhes paguem mais por isso.
Outro conceito que entretanto acabou, e que já tinha acabado há muito noutros países, é o de emprego para a vida. Esqueçam, não há mais desses (a não ser para a malta do partido, mas isso são contas doutro rosário...) Temos de saber viver com esta nova realidade, mas na minha opinião, este modelo só funciona com:
1) flexibilidade laboral - simplificando, se eu não puder despedir, não contrato, e por isso há mais gente no desemprego
2) mercado de arrendamento com liquidez- o arrendamento vs. compra permite uma adaptação muito mais rápida das famílias a mudanças de emprego ou a situações temporárias de desemprego. Mudar para uma casa mais barata é muito mais fácil do que trocar de casa própria, e não tem os custos de transacção que a compra e venda acarretam.
Como nenhuma destas condições se verifica, vamos viver um período de ajustamento difícil.
Um outro ponto que gosto de salientar, é que o que comanda a qualidade do emprego não é a oferta, é a procura! se não há empresas boas, não há empregos bons.
Enquanto a UE injectava dinheiro e os mercados emprestavam dinheiro aos bancos, lá íamos vivendo à custa do endividamento, a criar empregos no estado, ou em empresas que trabalhavam para o estado, mas sem produzir rigorosamente nada de jeito, e assim se iam empregando os canudos do pós-guterrismo.
O problema em Portugal é que desde o 25 de Abril hipotecámos a produção industrial, a agricultura, as pescas e vivemos dos serviços e do dinheiro emprestado. Este modelo, é como o esquema da pirâmide, dura até ao primeiro dia em que rejeitarem os empréstimos...ou seja, quando começarem a duvidar da nossa capacidade para pagar, o que aconteceu assim que a liquidez dos mercados encurtou.
Ou seja, temos uma geração de meninos mimados, um país que não tem capacidade para fazer crescer a economia, mercados financeiros que não nos emprestam dinheiro sem medidas de austeridade muito fortes, um governo completamente perdido, uma comunicação social completamente manipulada e uma elite completamente afastada da política. Para mim está o caldo entornado.
Não tenho tempo para mais, mas digo-vos que estou preocupado, e que penso seriamente em entrar para um partido político para ver se consigo fazer alguma coisa pelo país... _________________ No eternal reward will forgive us now for wasting the dawn.
Registo: Jun 19, 2008 Mensagens: 556 Local/Origem: Carcavelos
Colocada: Ter, 22 Mar 2011 - 17:35 Assunto:
dawnpatrolman escreveu:
Concordo e se fosse eu a descrever acho que ainda cascava mais nos paizinhos que educaram esta geração.
Sem desprimor para os merceeiros, cuja vida de trabalho árduo admiro mas não invejo, sempre comparei esta geração aos filhos dos merceeiros, cujos pais trabalham das 4h da manhã às 20h para sustentarem os meninos com roupas de marca, propinas de estaminés disfarçados de universidades privadas e gasolina para o carro novo, que usado é só para os pobres.
Um dos piores embustes criados para esmifrar uma geração inteira de pais pouco instruídos, foram as dezenas de cursos superiores inventados com o objectivo de melhorar as estatísticas e ao mesmo tempo rentabilizar as cooperativas que gerem universidades privadas. Estas fantásticas universidades iludiram uma catrefada de gente sem visão, ou sem capacidade crítica para perceber a armadilha onde ia cair, que achou que um canudo garantia um emprego melhor, independentemente da qualidade do dito.
Curiosamente, esta massa de universitários, uns da privada, outros da pública, nunca pensou em trabalhar para pagar os estudos (com part times ou com empréstimos, como nos outros países muito mais ricos que o nosso) e certamente que na maior parte dos casos não se informaram sobre as saídas dos cursos e sobre o VAL do investimento que estavam a fazer. Para muitos tenho a certeza que não compensou o tempo/custo dos estudos vs. o incremento no salário que possibilitou. Um dos exemplos do que falo são as caixas dos supermercados licenciadas... duvido que lhes paguem mais por isso.
Outro conceito que entretanto acabou, e que já tinha acabado há muito noutros países, é o de emprego para a vida. Esqueçam, não há mais desses (a não ser para a malta do partido, mas isso são contas doutro rosário...) Temos de saber viver com esta nova realidade, mas na minha opinião, este modelo só funciona com:
1) flexibilidade laboral - simplificando, se eu não puder despedir, não contrato, e por isso há mais gente no desemprego
2) mercado de arrendamento com liquidez- o arrendamento vs. compra permite uma adaptação muito mais rápida das famílias a mudanças de emprego ou a situações temporárias de desemprego. Mudar para uma casa mais barata é muito mais fácil do que trocar de casa própria, e não tem os custos de transacção que a compra e venda acarretam.
Como nenhuma destas condições se verifica, vamos viver um período de ajustamento difícil.
Um outro ponto que gosto de salientar, é que o que comanda a qualidade do emprego não é a oferta, é a procura! se não há empresas boas, não há empregos bons.
Enquanto a UE injectava dinheiro e os mercados emprestavam dinheiro aos bancos, lá íamos vivendo à custa do endividamento, a criar empregos no estado, ou em empresas que trabalhavam para o estado, mas sem produzir rigorosamente nada de jeito, e assim se iam empregando os canudos do pós-guterrismo.
O problema em Portugal é que desde o 25 de Abril hipotecámos a produção industrial, a agricultura, as pescas e vivemos dos serviços e do dinheiro emprestado. Este modelo, é como o esquema da pirâmide, dura até ao primeiro dia em que rejeitarem os empréstimos...ou seja, quando começarem a duvidar da nossa capacidade para pagar, o que aconteceu assim que a liquidez dos mercados encurtou.
Ou seja, temos uma geração de meninos mimados, um país que não tem capacidade para fazer crescer a economia, mercados financeiros que não nos emprestam dinheiro sem medidas de austeridade muito fortes, um governo completamente perdido, uma comunicação social completamente manipulada e uma elite completamente afastada da política. Para mim está o caldo entornado.
Não tenho tempo para mais, mas digo-vos que estou preocupado, e que penso seriamente em entrar para um partido político para ver se consigo fazer alguma coisa pelo país...
Neste momento concordo contigo e com o zemi, mas é como joaobuga diz , não podemos ver uma generalidade.
Eu acho que há pessoas que estão no direito de se sentir revoltadas neste momento com aquilo que se passa... mas ao mesmo tempo em que lia as vossas razões, apercebi-me que essas ideias até tinham uma certa lógica, mas neste momento tenho que estar de acordo com o movimento "geração à rasca" não pelo facto de concordar com as ideias deles, mas pelo facto de querer um governo de salvação ou alguma coisa do género, porque este governo não manda uma para a caixa :/ _________________ We dream with the perfect wave, perfect job, perfect house, and when we get there... we dream whit somenthing else - Rob Machado
Registo: Jun 19, 2008 Mensagens: 556 Local/Origem: Carcavelos
Colocada: Ter, 22 Mar 2011 - 17:38 Assunto:
presley escreveu:
Concordo, mas duvido que esse texto seja do Mia Couto.
Pelo que eu percebi não se tem a certeza se é dele ou não, e muitos já desconfiam tal como tu..
Talvez seja melhor tirar o nome do autor do texto, não ? _________________ We dream with the perfect wave, perfect job, perfect house, and when we get there... we dream whit somenthing else - Rob Machado
Registo: Apr 06, 2003 Mensagens: 5824 Local/Origem: Av. do Mar
Colocada: Ter, 22 Mar 2011 - 17:45 Assunto:
_Pinto_ escreveu:
presley escreveu:
Concordo, mas duvido que esse texto seja do Mia Couto.
Pelo que eu percebi não se tem a certeza se é dele ou não, e muitos já desconfiam tal como tu..
Talvez seja melhor tirar o nome do autor do texto, não ?
Se calhar era. _________________ Do what you love and you'll never work a day in your life.
Registo: Jun 19, 2008 Mensagens: 556 Local/Origem: Carcavelos
Colocada: Ter, 22 Mar 2011 - 17:50 Assunto:
presley escreveu:
_Pinto_ escreveu:
presley escreveu:
Concordo, mas duvido que esse texto seja do Mia Couto.
Pelo que eu percebi não se tem a certeza se é dele ou não, e muitos já desconfiam tal como tu..
Talvez seja melhor tirar o nome do autor do texto, não ?
Se calhar era.
Já está .
Obrigado. _________________ We dream with the perfect wave, perfect job, perfect house, and when we get there... we dream whit somenthing else - Rob Machado
Registo: Oct 24, 2004 Mensagens: 7607 Local/Origem: Carcavelos/Évora
Colocada: Ter, 22 Mar 2011 - 18:23 Assunto:
Duvido que esse texto seja do Mia Couto, duvido mesmo muito!
E porque generaliza, e diria ate que confunde geraçoes, nao concordo com ele!
Eu sou da tal geraçao a rasca, e aos 16 anos ja o meu pai me tinha metido a trabalhar nas obras nas ferias do verao. Desde os meus 17 anos ate aos 25 quando acabei o curso nunca tive ferias de verao, sendo que no ultimo ano de curso trabalhei e estudei. A minha primeira prancha de surf foi com dinheiro ganho a ajudar o meu pai em biscates.
A mim nunca me prometeram motas ou carros no caso de passar de ano, nem nada disso. Tudo o que tenho o devo ao esforço dos meus pais e ao meu proprio esforço. Nunca lhes exigi mais do que eles pudessem dar, nem eles alguma vez o fariam.
E como eu, conheço muitos outros. Conheço tantos que se esfalvavam a trabalhar para terminar um curso superior.
Lembro-me sem duvida, ainda, daqueles que estavam 10 anos numa universidade a passear os livros, com o beneplacito dos papas. Mas curiosamente esses eram aqueles que hoje estao quase na casa dos 40 anos.
Por generalizar, nao concordo com este texto. Ate porque hoje com 30 anos nao ha pai a rasca que compre um iPad ao filho, que eu saiba o iPad e o iPhone sao fenomenos relativamente recentes. Acho que o texto cola fenomenos de uma geraçao posterior a geraçao que hoje esta na casa dos 30 e se ve de facto "a rasca".
Porque a minha geraçao e' a dos Alcatel ou Sagem, ou Ericson. A minha geraçao aos 10 anos nao tinha telemovel, nao tinha internet, jogava spectrum e jogava a bola na rua. E por isso que eu nao consigo compreender as colagens que sao feitas no texto.
Se existe geraçao do facilitismo essa e a geraçao dos filhos da geraçao rasca. Sao os filhos dos que hoje tem 40 anos que eu vejo podres de bebados nas ruas com 13 ou 14 anos; que eu vejo com iPhones nas unhas; sao os papas dessas crianças que eu vejo a ir busca-los as 4 da manha depois de uma noite de copos.
O pecado dos pais da geraçao a rasca foi acreditar nas falacias de um Estado despesistas e vendedor de sonhos. Foi acreditar num Estado que se demitiu de regular a adequabilidade de cursos as exigencias do mercado de trabalho; foi acreditar num Estado que permite que a Ordem dos Medicos contiue a vetar o aumento dos numeros clausos, quando existe uma marcada falta destes profissionais no pais; um Estado que permite que se continuem a abrir mais nao sei quantas mil vagas para direito, para vias ensino, para psicologias, filosofias, etc!! Foi acreditar num Estado que destruiu o tecido produtivo portugues hipotecando a futura colocaçao de muitos profissionais; de um Estado que vendeu o pais a Europa, e que permitiu o crescimento do sector nao transacionavel e dos serviços; de um Estado que optou por um rumo que desequilibra brutalmente a balança comercial. Em suma, o pecado desses pais, que tiveram de lutar a vida toda para dar, legitimamente, e repito LEGITIMAMENTE um melhor futuro aos seus filhos foi terem acreditado num modelo de desenvolvimento que falhou rotundamente!
E zemi,
eu concordo que o nosso modelo de desenvolvimento ocidental e insustentavel, mas colocar o onus desse problema nos anseios legitimos das pessoas e' injusto. Toda a gente pretende o melhor para si e para os seus, e achar que a virtude esta no baixar as calças para ganhar "competitividade" parece-me errado e contraditorio quando depois dizes que devemos começar a pensar em modelos de desenvolvimentos mais "modestos" - ora a competitividade nao caminha nesse sentido, pelo contrario. Falas ai de que nao ves ninguem a ficar a trabalhar mais uma hora para alem do expediente, pois eu nao sei onde tu trabalhas mas eu conheço dezenas desses, e inclusive ja tive essa conversa com ilustres foristas deste espaço, e nao se tratam de 1 hora, nem 2 nem 3... sao as que forem precisas, para no fim nao receberem nem mais um centimo, ou sequer um obrigado ou um reconhecimento legitimo do esforço.
Nao concordo na generalidade com o que dizes, porque eu sou daqueles que acredita que o trabalho nao faz bem a saude! Odeio a sacralizaçao do trabalho, e acho que isso nao e' mais do que uma falacia muito conveninente a determinados sectores de actividade. Podes-me dizer que e' a unica forma de sermos competitivos numa economia cada vez mais competitiva... e eu direi que e' precisamente por isso que eu sou contra essa economia competitiva. Isso nao invalida que no meu trabalho nao seja competitivo, simplesmente nao acredito neste sistema. E curiosamente e' precisamente esse sistema competitivo (o tal capitalismo) que modela o nosso desenvolvimento civilizacional, o tal que e' insustentavel! Ou as pessoas sao consumistas so porque sao de uma geraçao diferente?
Mas no fundo e' como o Presley disse ai ha uns tempos "gosto de ser pago em tempo"! Nao poderia concordar mais com essa frase. Prefiro ganhar menos, ser menos competitivo, nao me stressar e ter tempo para mim e para os meus. Mesmo assim nao consigo ter tempo para surfar, o que sugere que nao estou a ser bem sucedido nesta tarefa de ser pago em tempo. E agora, vao-me censurar por eu pensar assim? Nao tenho direito a viver neste mundo apenas porque acho que trabalhar mais do que 8 horas sem remuneraçao (que se calhar em alguns casos ja e baixa) e sem outro tipo de contrapartidas e' um abuso?! Agora, as empresas nao podem esperar um alto grau de comprometimento dos seus colaboradores se nao os valorizar. E nesse particular, era conveninente tambem compreender as razoes pelas quais muitas vezes as pessoas sao "desligadas" dos seus postos de trabalho.
o excesso de trabalho é uma consequência das necessidades exageradas que temos. Ou seja é criado por todos nós. Quando me refiro a dar horas para aprender, é para aprender. Ou seja, estás num posto de trabalho para o qual concorreste, ao trabalhar vês que não és capaz e depois ainda exiges que te paguem para aprender o que supostamente já sabes fazer??
Olha eu onde trabalho, infelizmente a malta cola-se muito às horas extra, ou seja, se existir um mês em que um tem mais despesas, vejo que o mesmo é menos produtivo no horário normal e mais produtivo nas horas extra. Por exemplo, há aqui um funcionário que está a construir uma casa, faz em 3 horas extras o mesmo que faz nas oito horas normais de trabalho.
Eu aqui, até digo que só aumento o salário a quem consiga sair do trabalho uma hora mais cedo todos os dias.
Mas voltando à questão, toda a gente quer mais do que pode ter, e como todos sabem os recursos não são infinitos, a população não para de crescer, logo é normal que começe a haver menos para todos certo?
Quanto à geração à rasca, do que vejo nos testemunhos nos jornais sou completamente contra. Ou seja assisto a malta que se acomoda e quer estar sempre confortável incapaz de fazer qualquer sacríficio, mesmo que seja para si.
Quanto ao capitalismo, não sou a favor dessa corrente, no entanto sei reconhecer que quase toda a população, apesar de o criticar é incapaz de viver sem ele. E poucos são os que o fazem. Logo vir para as ruas manifestar-se, dizer que há precariedade, mas ao mesmo tempo serem completamente incapazes de fazer o que seja é ridículo.
Os salários são baixos? Porque será? Talvez por existirem muitos cursos da treta, que só são concluídos devido à mensalidade paga. Logo, quando antes haviam 100 licenciados bons, se calhar agora há 500 licenciados e ponto final, logo há mais gente com falsas competências a concorrer para o mesmo lugar. Logo o salário baixa.
Trabalhar para viver, sim concordo. Viver para trabalhar, estou contra. No entanto só trabalha para viver quem não tem vícios e gastos desnecessários. Ou como é que explicas que por exemplo segundo os dados da anacom existem 16 milhões de bandas largas móveis em portugal? que tenham sido vendidos 6,1 milhões de telemóveis em portugal este ano? e por aí em diante...
É muito bonito dizer que se é explorado e que não nos dão condições, por vezes esquecemo-nos é que nós tampouco criamos as condições necessárias. Eu neste momento trabalho à volta de 60 horas por semana, trabalho ao sábado, ao domingo, estou contente? NÃO! porque é que o faço? porque quase toda a gente que trabalha aqui não abdica de uma hora do seu tempo livre e depois ficam uns coitados encarregues de tudo.
Ainda está para ver o dia em que vejo uma manifestação na rua que seja por motivos não egoístas e sim por algo que ajude a todos.
Registo: Jan 24, 2009 Mensagens: 1534 Local/Origem: Poça / Azarujinha
Colocada: Ter, 22 Mar 2011 - 18:45 Assunto:
A minha contribuição...
No meu curso ensinaram-nos uma coisa, que tenho vindo a verificar ser muito verdade:
Com algumas honrosas excepções (existem), quem chega a topo de uma carreira, as verdadeiras pessoas de êxito nos negócios, são pessoas que passaram pelo menos uma grande privação na vida, são sempre pessoas que, ou tiveram graves problemas financeiros, ou estiveram em guerras, ou viram a vida por um fio etc etc.
As pessoas que tiveram vidas cor-de-rosa (ou azul bebé), mesmo com excelentes educações, podem chegar alto (e muitas vezes com ajudas externas), mas nunca chegam ao topo a pulso.
É claro que a educação conta, e por isso há grupos, como os judeus ou os líbios (eternos perseguidos), que formam grupos muito fortes e bem sucedidos.
Agora, não se esqueçam que a nossa geração foi a primeira na Europa, e talvez no mundo, a não ter nunca conhecido a fome nem a guerra. Portugal neste caso é mesmo uma excepção porque temos uma geração extra (a dos nossos pais) que também não conheceu nem guerra, nem fome, nem mesmo a grande depressão. Já em Espanha, muitos pais dos nosso amigos estiveram na Guerra Civil, e se formos mais para nordeste então a coisa fica muito mais negra: a minha ex-namorada Russa passou por privações e violências que nem vos passa pela cabeça.
A minha mãe (Holandesa/Alemã) passou fome, frio, foi bombardeada, perdeu a casa, e perdeu 3/4 da sua família na guerra. A sua geração é mais baixa que a média Holandesa e têm comportamentos únicos em relação à casa, ao dinheiro e à comida; por causa disso são muito mais cuidadosos e trabalhadores... mas nunca se armam em vítimas.
mas ao mesmo tempo em que lia as vossas razões, apercebi-me que essas ideias até tinham uma certa lógica, mas neste momento tenho que estar de acordo com o movimento "geração à rasca" não pelo facto de concordar com as ideias deles, mas pelo facto de querer um governo de salvação ou alguma coisa do género, porque este governo não manda uma para a caixa :/
Eu acho na minha modesta opinião que este é um dos problemas base por cá.
O querermos um governo de salvação. Não digo que não devamos querer um bom governo, mas e pela nossa parte o que já fizemos? É que se olharmos mais para cima, para as melhores economias da Europa, países nórdicos, têm uma sociedade responsável educada e trabalhadora na sua generalidade. Em que se uma coisa está marcada para as 8h é as 8h que começa. Nós por cá somos peritos no deixa andar, no sou mais esperto que os outros.. mas depois quando corre mal a culpa é do governo. Mas a culpa tem vindo a ser do Governo nos últimos.. deixa ver.. SEMPRE! Ou já alguem ouviu falar de um governo que fosse bem aceite por cá?
Temos uma oposição que é mestra em cair em cima e apontar o dedo (sinceramente já não os posso ouvir) e nunca se vê ninguem a chegar-se á frente com soluções.
O mesmo para o movimento geração á rasca. Estão (estamos) á rasca, mas e soluções? Alguem quer apresentar ou é o governo que não presta e é responsável por todo o mal das nossas vidas. É que quando toca a fazer aquela pequena parte que toca a cada um não vejo ninguém com vontade..
No geral, alem dos problemas da crise (que tem as costas largas ) e do governo que independentemente de qual for é sempre mau, acho que os nossos problemas passam muito por uma mudança de mentalidade colectiva e forma de estar enquanto país. _________________ "memes, basófia, nicks e anonimatos...bem vindos à internet, glad you could join us." SeaNoEvil in Carcavelos Sangrento
Registo: Jan 24, 2009 Mensagens: 1534 Local/Origem: Poça / Azarujinha
Colocada: Ter, 22 Mar 2011 - 18:59 Assunto:
wazaaa escreveu:
O pecado dos pais da geraçao a rasca foi acreditar nas falacias de um Estado despesistas e vendedor de sonhos. Foi acreditar num Estado que se demitiu de regular a adequabilidade de cursos as exigencias do mercado de trabalho; foi acreditar num Estado que permite que a Ordem dos Medicos contiue a vetar o aumento dos numeros clausos, quando existe uma marcada falta destes profissionais no pais; um Estado que permite que se continuem a abrir mais nao sei quantas mil vagas para direito, para vias ensino, para psicologias, filosofias, etc!! Foi acreditar num Estado que destruiu o tecido produtivo portugues hipotecando a futura colocaçao de muitos profissionais; de um Estado que vendeu o pais a Europa, e que permitiu o crescimento do sector nao transacionavel e dos serviços; de um Estado que optou por um rumo que desequilibra brutalmente a balança comercial. Em suma, o pecado desses pais, que tiveram de lutar a vida toda para dar, legitimamente, e repito LEGITIMAMENTE um melhor futuro aos seus filhos foi terem acreditado num modelo de desenvolvimento que falhou rotundamente!
O eterno "estado providência"...
Citação:
Mas voltando à questão, toda a gente quer mais do que pode ter, e como todos sabem os recursos não são infinitos, a população não para de crescer, logo é normal que começe a haver menos para todos certo?
Tens algo de razão mas este não é um zero-sum-game. Podes conseguir mais qualidade de vida sem que outros percam a sua. Podes conseguir ser mais feliz sem utilizares recursos naturais e finitos. É verdade que um dos pilares do crescimento económico é o crescimento da população, seja natural seja por emigração, mas a Europa já provou que pode crescer (mas mais modestamente) sem que a população aumente.
Aliás, das primeiras coisas que acontecem quando aparece o crescimento económico é a natalidade baixar (a seguir vai-se comprar um telemóvel smart, um carro inútil e uma casa demasiado grande... por esta ordem)
Registo: Jun 06, 2005 Mensagens: 4028 Local/Origem: Maia
Colocada: Ter, 22 Mar 2011 - 19:03 Assunto:
Mnel escreveu:
porque temos uma geração extra (a dos nossos pais) que também não conheceu nem guerra, nem fome, nem mesmo a grande depressão.
estou mesmo a ficar velho...é que o meu pai passou fominha, viveu a infancia no tempo da 2ª Guerra, etc...
mas sem grande tempo para escrever e sem o dom da palavra como alguns ilustres foristas acho no geral concordo, os jovens estão muito mal habituados, os menos jovens tambem, e depois temos um mal, é que quer tudo ser doutor, daqui a uns (poucos) anos não vai haver carpinteiros, serralheiros, etc, e com qualidade então cada vez há menos.
Ainda no outro dia da manifestação dizia para a minha mulher, "...pois, mas maior parte daqueles que estão ali, têm telemoveis topo de gama, Ipod's, etc, etc,..." , e quando um entrevistado disse que somos o pais com a geração mais bem formada ...humm...isto leva a muita tinta...podemos ter muitos com canudo, mas não percebem puto de nada, e depois podemos ir para a formação em termos de educação e de moral, em que aí é que acho que estamos mesmo mal...
enfim , siga para bingo, e no meio de escrever e já ter ido atender 2 clientes já me perdi
mas o que val é que o PSD vai ganhar as eleições, e daqui a 4 anos volta o PS , vira o disco e toca o mesmo _________________ Ganha vendo anuncios!
http://www.neobux.com/?r=jorgius
Registo: Jun 06, 2005 Mensagens: 4028 Local/Origem: Maia
Colocada: Ter, 22 Mar 2011 - 19:26 Assunto:
Mnel escreveu:
Jorgius escreveu:
Mnel escreveu:
porque temos uma geração extra (a dos nossos pais) que também não conheceu nem guerra, nem fome, nem mesmo a grande depressão.
estou mesmo a ficar velho...é que o meu pai passou fominha, viveu a infancia no tempo da 2ª Guerra, etc...
OK, onde estava ele? É que Portugal foi o único país não ocupado e não envolvido da Europa... e a fome a sério, que eu saiba não chegou cá.
Em Portugal, e a guerra não chegou cá,mas sofremos na mesma com ela, com o racionamento, senhas para comprar comida, etc...
e a fome a serio não ter cá andado...bem...tas um pouco mal informado, a não ser que compares com a fome que se passa em certos paises , principalmente entre refugiados de guerra, mas comer um prato de sopa(80% agua) e uma côdea seca por dia, para mim já é fome por alguma razão a mortalidade infantil era elevada, é que só sobreviviam mesmo os mais fortes. _________________ Ganha vendo anuncios!
http://www.neobux.com/?r=jorgius
Sim, isso no meu caso remete ao tempo dos meus avós que estão na casa dos 70 mas na altura da 2ª guerra a comida por cá era racionada. A fome não terá chegado concerteza como nos paises da europa envolvidos e praticamente destruidos mas uma guerra assim tem sempre consequências além fronteiras. _________________ "memes, basófia, nicks e anonimatos...bem vindos à internet, glad you could join us." SeaNoEvil in Carcavelos Sangrento
Não dou o meu acrescento , porque o dia correu-me tão mal em tantos aspectos, que ate tenho medo em escrever mais do que isto. Até , porque ficaria mais mal disposto do que já estou
Registo: Jan 24, 2009 Mensagens: 1534 Local/Origem: Poça / Azarujinha
Colocada: Ter, 22 Mar 2011 - 20:06 Assunto:
DiogoPedroso escreveu:
Tenho que concordar com o WAZZA, em tudo ....
Não dou o meu acrescento , porque o dia correu-me tão mal em tantos aspectos, que ate tenho medo em escrever mais do que isto. Até , porque ficaria mais mal disposto do que já estou
Registo: Oct 24, 2004 Mensagens: 7607 Local/Origem: Carcavelos/Évora
Colocada: Ter, 22 Mar 2011 - 20:28 Assunto:
Ó Mnel, essa de em Portugal não se ter passado fome, não lembra a ninguém!!
Do lado do meu pai eram 5 irmãos, o meu avô morreu cedo e passou-se muita fominha la em casa!! O meu pai tem 54 anos! Que eu saiba em Portugal é há uma geração que sofreu com a Guerra Colonial, o meu pai não foi para a guerra por Amparo de Mãe, pois era o único sustento da familia em conjunto com a minha avó! Mas essa foi toda a uma geração de carne para canhão em África, dizer que não sofreu com a guerra...
Se recuarmos ainda mais, vir dizer que em Portugal não se passaram necessidades por causa da 2ª Grande Guerra ou mesmo que não existiram portugueses envolvidos quer nessa guerra quer na Guerra Civil Espanhola, revela alguma ignorância histórica quanto a esse periodo da História Portuguesa, o que não é de admirar pois a 1ª metade do século XX português é como se não existisse nos livros de História, ainda estou para perceber porquê!!!
Quanto ao Estado previdência, creio que não me fiz entender, porque eu não estou a defender nenhum tipo de Estado Previdência, estou a defender que o Estado (que não é previdência nenhuma, isso é lá para as Escandinávias, curiosamente com excelentes resultados) ludibriou os seus contribuintes, vendeu-lhes sonhos e promessas nunca cumpridas! Não serei concerteza eu que tenho culpa de um Governo insistir num TGV, nem de anteriores terem descurado uma boa rede de caminhos de ferro, e tenham construido auto-estradas ao pontapé. São opções estratégicas que nos dizem respeito a todos e que, quer queiramos, quer não, nos condiciona a todos, no presente e no futuro. E se, para os nossos pais lhes disseram que o futuro passava pela formação e pelas qualificações, e passados todos estes anos, o caminho escolhido para o país ser divergente, em que ficamos?! É culpa das pessoas que acreditaram? Se as pessoas não acreditam em quem as governa, como ficamos?! Anarquia? Siga
Não dou o meu acrescento , porque o dia correu-me tão mal em tantos aspectos, que ate tenho medo em escrever mais do que isto. Até , porque ficaria mais mal disposto do que já estou
Tás a rasca, portanto
Acho que rasca não será a palavra mais apropriada. Existem adjectivos bastante adequados . Uns mais bonitos , outros direcionados para o vernaculo taberneiro.
Ha que saber encarar os desafios que vao aparecendo. Saber esperar (que a cabeça arrefeça) e analisar com objectividade e frieza .
QUEM ESTÁ À RASCA É QUEM SUSTENTA A GERAÇÃO À RASCA _________________ 1 litro de petroleo extraido, transportado e refinado em gasolina custa cerca de 10 centimos . o resto são impostos e margens de lucro
Problem poor people?
Registo: Nov 06, 2007 Mensagens: 711 Local/Origem: Lisboa
Colocada: Ter, 22 Mar 2011 - 21:18 Assunto:
Liguem agora a RTP 1 e vejam dois bons exemplos da forma como a geração à rasca devia dar a volta por cima... _________________ No eternal reward will forgive us now for wasting the dawn.
Neste fórum, você Não pode colocar mensagens novas Não pode responder a mensagens Não pode editar as suas mensagens Não pode remover as suas mensagens Você Não pode votar neste fórum